Quanto custa correr de kart? – v2025

Após 10 anos, segue a versão atualizada sobre quais são os custos para correr de kart

Desde o piloto amador que só corre de kart por lazer em baterias abertas de kart rental até o piloto que quer fazer carreira em karts prifissionais.

Fala, piloto. Em 2015, eu publiquei no YouTube três vídeos falando sobre custos no kart desde o nível de entrada no rental até a participação do campeonatos federados. E sabe o que eu notei? Já se passaram 10 anos (uau!), então tá mais do que na hora de fazermos uma nova versão dos custos para andar de kart, desde quem quer começar no rental, quem nunca andou e etc, até quem quer saber quanto gasta para você entrar num campeonato federado nas maiores categorias aqui do Brasil. Bora lá?

Cenário 1:

Para quem quer começar no kart da maneira mais barata, ou seja, nos karts de aluguel, que hoje nem falamos mais de kart indoor e sim kart rental ou rental kart. Para correr numa bateria de kart de aluguel de 30 minutos, você vai gastar hoje de R$ 120 a R$ 230. Você vai encontrar karts de 13 a 18 HP, que são karts que dependendo da pista chegam no máximo aí uns 80 por hora, em alguns casos até uns 85. Então, se você, por exemplo, for correr uma vez por semana num kart desse, pode chegar a gastar de R$ 500 até R$ 1.000 por mês, dependendo do “ânimo” do seu bolso, de uma maneira simples é isso.

Então, vamos aos pontos a favor e contra dessa maneira aí. A favor, é a opção mais em conta para você poder praticar o kartismo se você pensar em nível de entrada, para você ter que quer andar até quatro vezes por mês ou uma vez por semana. Dá para andar mais, tipo duas ou mesmo três vezes por semana? Claro que dá, mas aí o seu gasto começa a chegar num nível em que você pode treinar talvez de uma categoria um pouquinho menor, como eu vou falar daqui a pouco.

Outro ponto a favor, você paga pelo tempo do kart, não se preocupa com manutenção, ou seja, você senta, anda e depois vai embora sem se preocupar como ficou o equipamento, pois o kartódromo é que faz a manutenção, troca de pneus, combustível, etc. E o valor da bateria já tá incluso uma porcentagem que o kartódromo usa, claro, para manter os karts sempre em bom funcionamento. Um outro ponto a favor é que hoje em dia já existem não só inúmeros campeonatos que você pode correr, desde campeonatos entre amigos, ligas amadoras de kart que organizam campeonatos até chegar nos torneios nacionais como o Festival Brasileiro de Rental kart promovido pela Amika e os torneios sazonais como, por exemplo, Torneio de Verão, Torneio de Inverno, etc.

Já existe inclusive um ranking nacional de pilotos chamado NKR, cuja pontuação é uma soma da sua participação em algum desses campeonatos e torneios específicos. Quer saber? Hoje já existe até o KWC kart World Championship, que é um campeonato no mundial de karts de grau que em 2024, fez a sua estreia aqui no Brasil. Normalmente essa competição acontece uma vez por ano na Europa. Eu mencionei isso porque se você quiser fazer uma carreira só andando de rental kart, você tem uma “esteira gigante” de evolução e vai chegar em um nível de disputa tão acirrada que por vezes supera até os campeonatos de kart federados. Dá para gastar uma vida nisso, tanto em tempo como em dinheiro.

E aí começam, claro, os pontos contra.

Normalmente quando você começa a entrar em ligas de kart, ou seja, em campeonatos de rental kart, você nunca escolhe o kart. Ou seja, o kart é sempre sorteado pro piloto logo antes da corrida. E aí já sabe, nem todos os karts são exatamente iguais, mesmo que o serviço de equilíbrio e equalização dos karts do kartódromo seja muito bem feito. Então corre o risco de você ser sorteado com kart fraco ou ruim e etc. E aí você tem que se virar com o equipamento que tem na mão. E tem kartódromo que a qualidade do equipamento também deixa um pouco a desejar. E aí já viu, você pode perder uma corrida porque ou o seu kart quebrou ou porque o kart do seu colega que nem anda tão bem, era mais forte que o seu. E aí você tomou um pau na disputa e agora tem que ficar ouvindo tiração de sarro dele. O exemplo mais fácil de entender esse ponto contra é você ir correr de kart uma bateria às 11 da noite em kartes que estão correndo em baterias abertas ao público desde as 5 da tarde. É claro que corre o risco de você pegar um kart batido, cansado, mal usado e etc.

Um terceiro ponto contra, em alguns campeonatos, a disputa já está tão acirrada com tanta gente que não só fica muito difícil de se destacar, como também por vezes a disputa se torna acirrada demais. E nem sempre isso é saudável, porque muitos pilotos usam o borrachão de proteção para se apoiar e até mesmo empurrar os colegas para fora da pista.

Agora, o que não é mesmo saudável é você começar a correr em vários campeonatos de kart rental e não ficar medindo o quanto você tá gastando, porque você pode se empolgar, vai correr os quatro ou cinco campeonatos diferentes de kart de aluguel e só se liga que exagerou quando chega a conta do seu kartão de crédito. Aí normalmente cai a ficha. Quando você faz as contas, tá gastando mais do que se tivesse o seu próprio kart, ou seja, ao invés de 500 a 1000 por mês, isso pode até mesmo quadruplicar. Então isso é para pensar.

Outro ponto não tão positivo, se você pensar em levar o Rental kart como carreira, a divulgação que o Rental kart oferece nem sempre chama tanta atenção. E poucas empresas têm mesmo interesse em investir em pilotos que andam de rental, porque não tem nem muito retorno de imagem, mesmo que o campeonato que você participa tenha transmissão ao vivo pelo YouTube e você esteja ganhando bastante corrida, ou seja, quase todas as corridas do campeonato, etc. Na grande maioria, isso não é só no Rental kart.

O que acontece é que os próprios pilotos é que bancam as suas despesas ou mesmo as empresas desses próprios pilotos. Isso porque no Rental kart a idade pode chegar até categorias que a gente chama de senior, ou seja, gente mais de 50 anos ainda correndo. Então esses caras geralmente já tem uma boa fonte de renda e eles mesmo pagam seus custos, e é isso o que mais acontece até mesmo no kartismo profissional.

Bom, estágio um explicado.

 

Cenario 2:

Vamos então pro estágio dois, que é sobre comprar o seu próprio kart. E aí temos o piloto que só quer um hobby, só quer desestressar ou temos então o piloto que quer fazer carreira e ir pro kartismo profissional, seja em nível estadual, nacional ou mesmo mundial, que vai ser o estágio três que eu vou falar, tá bom?

Pro primeiro tipo de piloto que só quer pilotar por hobby, o caminho é bem mais fácil. Então ele pode comprar um kart e ou guardar o kart em casa levando o kart pra pista só nos dias que ele for treinar, ou ele pode contratar uma equipe para fazer a hospedagem e cuidado com o kart. Um kart usado, ou seja, com até uns 4 anos de uso, já com motor básico de quatro tempos todo montado, você vai achar aí por uns R$ 10.000 a R$ 12.000, dependendo da marca e do estado do kart. Karts com dois anos de uso um pouquinho mais novos hoje em dia, que a gente tá falando em maio de 2025, vai de 15 a 18.000, tá? E aí você tem que pensar não só nisso, mas em como manter o kart, porque é igual comprar um animal pet aí, um bichinho. Você não vai ter só que comprar o bicho, você vai ter ração, água, vacinas, veterinário, etc.

E com kart não é diferente.

Tem combustível, pneus, peças de freio, manutenção, alinhamento e várias outras peças. Nunca é só o kart. No caso de você guardar em casa, vai precisar de espaço para guardar, tipo uma garagem, um kit mínimo de ferramentas, um carro com caçamba para levar o kart pra pista, etc. Tudo isso é custo, mas no caso mais fácil de mensurar, se você decidir contratar uma equipe para cuidar do seu kart, em kartódromos menores, você paga de R$ 800 a R$ 1.000 só para ter hospedagem com alguma equipe. E nos kartódromos oficiais ou mesmo os mais famosos, as equipes chegam a cobrar mais de 2.000 por mês só para guardar o kart e acompanhar você nos seus treinos. E é claro, sem contar a gasolina que você usa, o óleo do motor, pneus, peça de manutenção, etc.

Isso tudo é você que paga além da mensalidade da equipe, ok?

E lembra que isso tudo só para treinar sem entrar em nenhuma corrida oficial, tá bom? Só no treino por enquanto. Então você já está só como hobby, gastando aí R$ 1500 a R$ 2500 por mês entre diversão e cuidado com o kart.

 

Há aqui um meio termo que eu vou chamar de cenário 2,5:

Em alguns kartódromos há alguns grupos que decidem comprar karts todo mundo junto, comprar o mesmo número de motores conforme a quantidade de pilotos. E eles mesmos se organizam como um campeonato entre amigos, algo que não é oficial e nem regional. São amigos que compram cada um seu F4, por exemplo, e correm por diversão uma vez por semana. E uma característica bacana desse tipo de acordo é que a cada etapa os motores são ressorteados entre os pilotos para ninguém reclamar que não andou bem por causa de motor fraco. Aí é claro, você vai gastar praticamente o mesmo que uma equipe cobra pela hospedagem e aí vai sempre ter uma corridinha entre amigos, tipo uma vez por semana. Isso funciona muito bem aqui em São Paulo, mas eu não sei como é fora de São Paulo, tá bom? É uma opção bacana, positiva em relação a custos, mas é difícil achar uma turma bem entrosada, onde todo mundo tem o “bolso” mais ou menos do mesmo tamanho para fazer essa compra e esse tipo de manutenção mensal. O custo da equipe é rateado entre todos, assim como pneus e motores. Aí, nos modelos que temos aqui em São Paulo, o seu custo fica em torno de 2.000 por mês, fazendo de três a quatro corridas por mês.

Só que obviamente isso tem um lado não tão bom, pois não há treinos avulsos no pacote, ou seja, você só vem pra pista para correr e não tem muito espaço para treino. Na verdade “tem”, né? Mas aí você vai ter que pagar mais caro, porque você vai ter que pagar por treino avulso, e aí a sua economia já era.

 

Cenário 3:

Então agora indo pro estágio três do nosso vídeo sobre custos para correr de kart, vamos falar sobre você ir mesmo pras corridas federadas e tentar fazer carreira no kartismo profissional.

De cara, o valor da equipe sobe para mais de R$ 3.000, porque para participar de competições a mensalidade é mais cara, porque muitas vezes inclui a equipe ter de contratar mais um mecânico como freelancer no fim de semana das corridas, só para te acompanhar. Fora isso, mais gasolina, muito mais pneus, porque você vai treinar mais e tem o jogo de pneus do dia da corrida que são lacrados pelo próprio kartódromo e você tem que comprar na loja deles no dia pré-determinado, além de “outras coisinhas mais”, tá bom?

Fora isso, você também vai precisar tirar uma carteira de piloto federado que vence todo ano, ou seja, todo ano tem essa despesa entre janeiro e fevereiro que hoje em torno de R$ 1.000. Ah, como vai entrar no campeonato federado, além disso, tem taxa de inscrição por prova, taxa de uso de motor sorteado, taxa de uso de sensor de cronometragem, entre outras coisinhas que aparecem de última hora. E para te dar um número aproximado de quanto você gasta para correr de F4 aqui na Copa São Paulo do KGV, que a porta de entrada dos campeonatos federados pode contar aí de R$ 7.000 a R$ 8.000 por etapa, ou seja, 7k a 8k por mês.

Se subir então para uma categoria de kart dois tempos como Rotax, OK ou mesmo Parilla, o valor sobe ainda mais, podendo chegar até mesmo uns 14, 15 paus aí por etapa fácil, fácil…

Pontos a favor: Você tá vivendo a sua carreira, meu, tá andando aí um dos campeonatos mais rápidos do Brasil e do mundo. Porque todo mundo do meio automobilístico sabe que Kart é o tipo de veículo com as reações mais rápidas que você tem, só perdem mesmo pro Fórmula 1. Então, no kartismo profissional você tá muito bem montado.

E os pontos contra, é claro, em primeiro lugar o tamanho GIGANTE dos custos. Fora isso, se você não é mais um adolescente, já trabalha e tem alguma noção de hierarquia corporativa, vai entender que se você tiver um bom patrocinador e a pessoa responsável por assinar o cheque for assistir as suas corridas, isso vai gerar uma pressão incômoda em cima de você por resultado. E resultado, mesmo que você seja um piloto fora da curva de tão bom, é impossível de garantir. Primeiro pelo tamanho de imprevistos que acontecem em uma corrida. Sem falar em todos os imprevistos que podem ocorrer em um mesmo final de semana de corrida.

A partir daí, o assunto após kartismo, vira evolução para carro ou mesmo fórmula. Mas isso, ó, é papo por um outro vídeo, tá bom?

Se você lembrou de algum aspecto de custos que eu não te falei, por gentileza, deixa aqui nos comentários que eu vou ler e procurar enriquecer ainda mais meu conteúdo para vocês, tá bom?

Não esquece de deixar aquele like bacana no vídeo e de se inscrever no canal pros próximos vídeos. E aí, te espero numa próxima.

Muito obrigado por ter assistido até aqui. Um forte abraço e até mais.

 


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